REUNIÕES DE ACOLHIDA PROMOVEM ACESSO A DIREITOS NOS CRAS DE PINHAIS

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“Fiz Caps [Centro de Atenção Psicossocial] desde 2014 até 2023 quando ganhei alta. Eu estava pesando 38 kg, usuária de crack, então fui bem ‘feia’ pra lá, eu me recuperava e caía. Sou portadora do HIV e tive muito apoio da prefeitura, de todos do Creas e do Cras. Não tenho família, sou eu e meus filhos e meu novo marido agora. O Cras Norte é onde sempre freqüentei, todos sabem a minha história de vida ‘todinha”, resume Luana Priscila de Matos Machado, de 31 anos. Moradora do Jardim Amélia, ela participa ativamente das atividades do Cras, onde esteve dia 14 último para uma ‘reunião de acolhida’.

Os Centros de Referência da Assistência Social (Cras) são equipamentos públicos por onde a comunidade de cada região pode acessar serviços, programas e benefícios gerenciados pela Secretaria de Assistência Social de Pinhais (Semas). Na manhã desta terça (14), em uma das ‘reuniões de acolhida’ promovida pelas equipes do Cras Norte, Luana contou a outros moradores e às servidoras técnicas um pouco da sua vivência. Sentados em roda, os munícipes se apresentaram uns aos outros e relataram aos servidores quais as suas necessidades de momento.

Segundo a Semas, as ‘reuniões de acolhida’ acontecem nos quatro Cras do município e podem ser feitas em grupo ou individualmente. “A gente busca explicar nesse encontro qual é o trabalho do Cras, o que as pessoas podem buscar dentro de programas, projetos, serviços, benefícios. A gente pede que cada um faça uma apresentação individual explicando o motivo que o trouxe aqui. Os técnicos vão anotando e fazendo perguntas referentes àquela vulnerabilidade apresentada. No final, é servido um lanche e falamos pra família que entraremos em contato para encaminhamentos”, explica a assistente social e coordenadora do Cras Norte, Luciane Pereira Paz Sales.

A coordenadora ainda complementa que, para quem busca o Cras, existem critérios. “A porta de entrada é o Cadastro Único, por onde a pessoa pode acessar vários programas sociais. A pessoa pode vir na acolhida, ser ouvida, atendida, e posteriormente fazer o cadastro, ou vice-versa. O Cras é a porta de entrada de direitos”, explica.

Quando todos se apresentaram, na primeira ‘reunião de acolhida’ do dia, Luana detalhou um pouco mais sobre a sua história de vida – e os motivos de estar no Cras para aquela atividade. “A minha adolescência não foi nada fácil. Fomos embora pra São Paulo e lá fiquei praticamente em cárcere privado com meu padrasto até meus 21 anos, tenho dois filhos de um abuso dele… Consegui sair e voltei pra cá, precisei daqui, e agora é uma nova vida pra mim, uma nova história, de superações de tudo, de droga, de enfrentar e superar um abuso, ter dois filhos desse abuso… E eu me sinto uma grande mulher, honrada agora. Só tenho que agradecer a Deus e as pessoas que me apoiam em tudo. Estou aqui nesse grupo de acolhida hoje para pedir um kit de maternidade e uma cesta básica”, concluiu.

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